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21 de fev de 2011

O Bosque

O Bosque
(autoria desconhecida)


Tempos atrás, eu era vizinho de um médico, cujo "hobby" era plantar árvores no enorme quintal de sua casa.

Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias.

O que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava.

Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer.

Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava.

Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.

Ele disse-me, que se ao regar as plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima.

Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo.

Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries.

Disse-me ainda, que freqüentemente dava uma palmadinha nas suas árvores, com um jornal enrolado, e que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.

Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho.

Logo depois, fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei.

Vários anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga residência.

Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes.

Meu antigo vizinho havia realizado seu sonho!

O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno.

Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda.

Que efeito curioso, pensei eu...
As adversidades pela quais aquelas árvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto o tratamento mais fácil jamais conseguiriam.

A partir desse momento, comecei a pensar sobre uma atitude minha:

Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos.

Debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido.

Freqüentemente, oro por eles.

Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis:

"Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo"...

Tenho pensado, entretanto, que é hora de alterar minhas orações.

Essa mudança tem a ver com o fato de que é inevitável que os ventos gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos.

Sei que eles encontrarão inúmeros problemas e que, portanto, minhas orações para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais.

Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar.

Portanto, pretendo mudar minhas orações.

Farei isso porque, quer queiramos ou não, a vida é não é muito fácil.

Ao contrário do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos.

Ou seja, oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer é pedir para desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, nós resistiremos bravamente, ao invés de sermos subjugados e varridos para longe.

Que Deus nos dê raízes fortes!!!

(texto recebido por e-mail e postado em 21.02.2011)

5 comentários:

VAMOS CAMINHAR JUNTOS disse...

Uma bela história, um belo exemplo
a ser seguido. Parabéns pela postagem.
Faça uma visita ao blog
www.vamoscaminharjuntos.blogspot.com
onde fiz uma postagem bastante polêmica.
Deixe lá o seu comentário e assista blog
a crítica feita por
Felipe Melo, além de um verdadeiro
shoping virtual.Ah! e seja também um
seguidor. Abraços.

CatiaPipoca disse...

Bela reflexão, e muito verdadeira.
O fato é que estamos cada vez mais nos relacionando de forma artificial, os fast-foods sentimentais se alastraram.
Se não nos policiarmos ficamos viciados mais na quantidade do que na qualidade e alerto sobre isso em todos os sentidos, até mesmo a amizade.
-
Vale refletir.
Parabéns amigo.

Deny disse...

Espetacular tal teoria e mais espetacular ainda foi a atitude de tal pessoa mudar suas orações.

A vida nunca será perfeita para ngm e cada dia que passa o mundo anda mais injusto e menos sábio, cabe a nossos filhos ter a base necessária para firmarem-se como as raízes do bosque. E isso depende de nós e de Deus.

Pedir coisas ingênuas já não é a melhor saída, pois infelizmente o mundo cada dia perde o resto de ingenuidade.

Fantástico post, parabéns amigo!

=D

Jackie Freitas disse...

Olá Glauco querido!
Veríssimo isso! Penso da mesma forma! Aliás, costumo dizer aqui em casa que se pudéssemos, com certeza protegeríamos nossos filhos e entes queridos das tempestades da vida, mas se olharmos com atenção, compreenderemos que são as tempestades que nos fazem fortes, que nos pedem para buscar raízes profundas para resistirmos ao tempo.
Também penso assim sobre o amor... Acho que as bases do relacionamento, quando fortes e profundas, permitem que ele dure, cresça e resista as intempéries da vida...e são muitas! Mas, o amor verdadeiro sabe onde fincar suas raízes...e dura...dura...
Grande e belo texto, meu amigo!
Grande beijo,
Jackie

Alfeu Gomes disse...

Olá Glauco,
A 1 ano e meio trabalho como porteiro e vejo que as pessoas com posses não preparam seus filhos para as adversidades da vida, ao contrário dão tudo para eles,eu posso até estar errado mas o sistema aqui em casa é parecido ao deste médico estou ensinando aos meus filhos que tudo que queremos tem ser conquistado com o nosso próprio suor, eu já até falei para entes queridos meus para nunca dar uma simples moeda que para isso a pessoa que lutar para conquistar porque fui criado assim e tento transmitir aos meus filhos.

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